o sol e o piso.
das razões da sua existência nas obras.
Todos conhecem a famosa «meia-cana» (que é só um quarto de cana) moldada pelo arrastar do lateral das garrafas de cerveja na camada de enchimento, para assentamento de telas de impermeabilização.
Nós, já tínhamos visto as «caricas» das cervejas (vulgo: «cápsulas»; no Porto, «sameiras»; no Rio de Janeiro, «chapinhas») substituírem as «buchas de expansão com prego de polipropileno para fixação de poliestireno extrudido».
Agora descobrimos, que para além da tampa e da superfície de revolução o volume destas garrafas não serve só para entulho (atiram-se muitas para junto dos drenos, no perímetro das caves) de facto, a sua medida (33 cl) é usada para outro fim (bastante tecnológico). Na argamassa posta sobre os sistemas de pavimento radiante, o aditivo para melhor condução térmica, deve ser na proporção de 0,3 litros por cada saco de cimento (50kg).
Um maravilhoso objecto de design, verdadeiro canivete suiço (ou melhor, português), verdadeira ferramenta de trabalho.
vulgo: «fissura»
Ex. «Abriu ali uma frissura.»
(Talvez da hibridação de friso com fissura.)
Não é defeito, fica feitio.
(sobre a sua inversão)
Focamos a paisagem longínqua e aceitamo-la, sem reservas:
o monte que recorta desigualmente o céu e a terra;
as árvores mais densas à esquerda;
as diferenças bruscas nas cores.
Tudo num aleatório natural,
divinalmente dado.
a composição não é posta em causa.
(porque, aqui também, não há causas?)
perdido.
Após 2 semanas de intensa procura de calceteiros capazes de colocar 120 metros quadrados de basalto (dos açores) restos do Porto 2001 encontramos a obra ainda sem vidros. Talvez seja a última visita sem eles, sem que o espaço se plastifique de reflexos (e pó colado). A menina encontra-se, agora, ao estilo cretense e os caixilhos abandonados a um sem sentido escultural. O bordo da quase piscina (no seu quase azul) marca a cota de referência do terreno e já deixa a casa pousar.
Isto está quase poético, mas…
Afinal isto não é um site de bebidas alcoólicas.
É mesmo basalto.
São mesmo homens.
Nada é estranho
à beira mar.
(As pessoas até andam sem roupa!)
no bar:
Em Ponte da Barca.
(A D.Rosa vende para lá.)
«Aguardente da D.Rosa para gente famosa.»
«charmosa, garganta cheirosa, etc.»
de Março
Logo agora que tinhamos tanto para postar.
Mas fica tudo em arquivo e mesmo desactualizados os posts serão colocados.
5 litros de novas esperanças.
Esta semana,
(em que fomos quase «boxeurs»
e descrentes no estado da coisa)
mesmo assim, ofereceu-nos qualquer coisa:
- 5 litros de aguardente caseira da D. Rosa;
de Ponte da Barca trouxemos, ainda muitas
-paisagens
das que não cabem nos bolsos
-o azul de uma quase-piscina
entre o betão ferido,
o escuro (demais)
da lacagem do alumínio,
o empeno das serralharias
a pedir um vidro torcido,
o não encontrar
um fornecedor de basalto…
No fundo os mais desamores
da obra que se faz
remendam-se com a
esperança da
obra que ainda não é
sequer projecto.
Na iminência da mudança; a caminho da intolerância.
Era uma vez…
-(1)uma época em que se faziam campanhas de alfabetização.
(A generalidade dos arquitectos ainda tem uma postura de promoção da disciplina tentando mostrar os benefícios que podem resultar dum processo de procura de uma solução concertada entre os interesses do dono-de-obra, local, programa, diversas ópticas das especialidades…etc.)
-(2)um estado de pensamento que nos mergulha numa lei de mercado.
(O arquitecto oferecendo um produto (de trabalho) nota que o esforço na elaboração de um dito projecto é assaltado pela obrigação da sua comunicação a forças adversas, não à sua implantação no terreno, mas à aceitação de que se entrou no processo dinâmico em que à partida tudo é possível. Não se alfabetiza a cultura, a maneira de ver, de pensar de aceitar. Entra-se na loja e compra-se! Os especialista é que sabe! O homem que já trabalha nisto à vinte anos (e esteve «nafrança») é quase sempre melhor opnion-maker!) A menor percentagem de arquitectos que vive apenas do exercício da actividade projectual, vai aguentando educadamente, não gritar, prevendo os boicotes, sabotagens, escolhas transversas, aceitando algumas imposições do cliente, mesmo que por materiais mais caros..
-(3)o futuro para que nos vemos obrigados a intuir:
Um momento da intolerância.
(Lembro-me do João César Monteiro, na estreia da Branca-de-Neve, para a jornalista: «O que a senhora faz é que é bonito?».
É que a obra alfabetiza só na medida em que é um murro nos olhos.
Quando a visitamos e percebemos a diferença entre:
o que é arquitectura
e o que não tentou (fugir da merda).
(E muitas vezes, como em Heidegger, a arquitectura é enterrada, aprofundando-se.)
Não queremos estaladas, é mesmo de murros que precisamos.
vulgo : homologado
ex: «Não existe nenhum equipamento amolgado, um gajo não sabe o tem de instalar.»